Por que documentar o processo criativo agora importa

por Diego Lopes

Em 2024 Cannes começou a perguntar nos formulários de submissão se a obra usou inteligência artificial. Em 2025, o US Copyright Office publicou orientação detalhada sobre como obras IA-assistidas devem ser declaradas. Em 2026, o EU AI Act entrou em vigor e classificou conteúdo gerado por IA como categoria que exige disclosure.

A pergunta deixou de ser "vou usar IA?" — e virou "como provo o que eu fiz e o que a IA fez?".

O problema não é a IA. É a falta de prova.

Imagine três cenários reais:

  1. Você submete um roteiro pra um festival e recebe pergunta: "Que partes foram geradas por IA?". Você lembra que usou IA pra revisar um subtexto na cena 12 e pra gerar um diálogo no ato 2. Mas você reescreveu ambos. Como você prova?

  2. Você assina contrato com produtora. Cláusula nova exige declaração de uso de IA. Você lembra ter usado em alguns lugares — mas três meses depois, não tem como reconstruir. Como você protege seu pagamento?

  3. Um co-roteirista questiona sua contribuição. Em disputa legal, advogado pergunta se você "escreveu de verdade" ou "só refinou IA". Como você responde?

Em todos os casos, a resposta requer registro de processo, não declaração genérica.

Telos não declara autoria. Registra o que aconteceu.

A decisão arquitetural do Telos foi explícita: o sistema não tira conclusão sobre autoria. Não diz "este roteiro é 67% humano". Não emite selo. Não calcula score de mérito autoral.

O que ele faz: registra cada operação — quem gerou, quem refinou, quanto tempo passou entre uma versão e outra, qual sugestão IA foi aceita ou rejeitada, qual cena nasceu de prompt vs qual nasceu de revisão profunda.

Quando você precisa exportar:

  • PDF/A "Registro de Processo Criativo" — linguagem conservadora, factual, pra colar em formulário de festival ou compartilhar com advogado.
  • Carimbo de tempo RFC 3161 (opcional, FreeTSA) — prova criptográfica de que aquele documento existia naquela data.
  • lineage.json — dados brutos pra peritos técnicos.

A decisão de como declarar continua com você. Telos só te dá o material.

O que isso muda no dia a dia

Antes do Telos, "voltar e reconstruir o processo" era impossível. Você abria um Google Docs, escrevia, apagava, gerava no ChatGPT, copiava, modificava. No final, sobrava o texto final — sem rastro.

Com Telos, cada cena tem seu próprio histórico Git-like. Você pode:

  • Ver quantos ciclos de IA passaram em cada cena
  • Comparar sua primeira versão da cena 7 com a final
  • Demonstrar que reescreveu 80% do que IA gerou
  • Recuperar versões antigas que descartou (e arrependeu)

Isso muda o cálculo de risco. Você pode usar IA com mais confiança porque sabe que o registro está sendo feito por padrão.

Não somos os primeiros, mas somos os primeiros a sério

Outros sistemas adicionaram "histórico" como afterthought — versões salvas a cada N minutos sem distinção entre o que foi humano e IA. Isso não responde à pergunta regulatória.

Telos foi construído desde o início com lineage como cidadão de primeira classe. Cada operação (cena criada, refinada, gerada por IA) vira um BranchOp com categoria explícita (geração IA, refinamento humano de IA, composição humana, rejeição IA). Quando você exporta, esses dados viram tabela legível.

Não é "feature de planilha". É o caderno de laboratório que o roteirista precisa pra navegar a próxima década.

Próximos passos

Se você ainda não usa Telos: a waitlist está aberta. Pra quem já usa: a página /provenance explica em detalhe o que registramos e o que não registramos.

Pra quem está pensando se vale: leia primeiro o Manifesto. É curto, é honesto. Se a tese não convence, melhor não usar.